Viver e lutar no sertão das Geraes: mulheres líderes em um contexto de destradicionalização

Elizabeth Ma. Fleury-Teixeira

Resumo


Nesse artigo mostramos quem são as líderes que surgiram no sertão de Minas Gerais entre os anos 1980 e o novo século, como se constituíram como lideranças e o que propõem para as mulheres de sua região. No início do estudo, acreditávamos que a redemocratização, com a reorganização das forças políticas e sociais, tivesse sido um terreno fértil para a consolidação de lideranças femininas que iniciaram sua atuação na fase mais dura dos governos militares. A ida a campo comprovou essa hipótese. Estão na base teórica de explicação do fenômeno aqui estudado as teorias do patriarcado, em sua chave feminista, e a teoria da modernidade reflexiva, utilizada quando discutimos aspectos da destradicionalização. Nossa escolha metodológica recaiu sobre o método de integração quali-quanti de Benz e Newman (1998). A partir de uma base construída com dados quantitativos colhidos em 2008 e em uma etapa qualitativa realizada em 2012, encontramos mulheres que se definem enquanto líderes, produzem inovações em seu entorno com o aval da religião católica de linha progressista e fazem arranjos na vida privada para não desconstruir o vínculo amoroso e seguir na vida pública, única esfera onde, de fato, rompem com a tradição e o papel destinado às mulheres de sua região.

Palavras-chave


mulheres líderes; redemocratização; patriarcado; modernidade reflexiva; destradicionalização

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DOI: https://doi.org/10.22409/rg.v16i2.794

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